O mercado financeiro brasileiro viveu uma das semanas mais marcantes dos últimos anos. O Ibovespa ultrapassou pela primeira vez os 200 mil pontos, enquanto o dólar voltou para a região abaixo de R$ 5.
Somente na segunda-feira, a Bolsa brasileira avançou 7,7%, alcançando uma máxima histórica acima dos 209 mil pontos. No mesmo pregão, o dólar caiu mais de 4%.
Movimentos dessa magnitude raramente acontecem sem uma mudança importante nas expectativas dos investidores.
E foi exatamente isso que aconteceu.
O mercado começou a enxergar um Brasil diferente
O principal gatilho foi o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais.
O desempenho de Flávio Bolsonaro acima do esperado pelas pesquisas, combinado ao avanço de partidos mais conservadores no Congresso, provocou uma rápida revisão das expectativas dos investidores sobre os próximos anos da economia brasileira.
Mais do que nomes ou partidos, o mercado está tentando antecipar políticas econômicas.
A expectativa de maior disciplina fiscal, reformas econômicas e um ambiente potencialmente mais favorável aos investimentos aumentou rapidamente o interesse pelos ativos brasileiros.
O resultado apareceu simultaneamente em três mercados:
Bolsa subindo. Dólar caindo. Juros futuros recuando.
Quando esses três movimentos acontecem juntos, normalmente existe uma melhora na percepção de risco do país.
Por que a Bolsa subiu tanto?
O Brasil já apresentava empresas importantes negociadas a preços considerados atrativos por muitos investidores.
O problema era o risco.
Quando aumenta a confiança na trajetória fiscal e econômica de um país, o investidor passa a aceitar pagar mais pelos seus ativos.
Foi exatamente essa reprecificação que ocorreu.
Bancos e empresas mais ligadas à economia doméstica estiveram entre os principais beneficiados, justamente porque são companhias que tendem a ganhar quando o mercado projeta juros menores, maior crescimento e melhora do ambiente econômico.
A reação foi tão intensa que o Ibovespa ultrapassou os 200 mil pontos pela primeira vez na história.
Mas existe outro lado dessa história.
Depois de uma valorização tão rápida, é natural que ocorram realizações de lucro. Isso não significa necessariamente que o movimento terminou. Significa apenas que parte dos investidores que comprou antes ou durante a alta começa a realizar seus ganhos.
E por que o dólar despencou?
O comportamento do dólar talvez seja ainda mais interessante.
Quando investidores estrangeiros aumentam suas posições no Brasil, precisam comprar ativos brasileiros e, direta ou indiretamente, aumenta a demanda por reais.
Quanto maior a entrada de capital, maior tende a ser a pressão de valorização sobre a moeda brasileira.
Foi exatamente o que aconteceu.
O dólar caiu mais de 4% em apenas um pregão e depois continuou negociando abaixo de R$ 5.
E há um sinal ainda mais relevante: em alguns momentos desta semana, o dólar caiu no Brasil mesmo quando a moeda americana se fortalecia internacionalmente.
Isso mostra que o movimento não pode ser explicado apenas pelo cenário externo.
O real ganhou força própria.
O Brasil voltou ao radar internacional
Essa talvez seja a principal mensagem desta semana.
Investidores internacionais começaram a reconsiderar a relação entre risco e retorno oferecida pelo Brasil.
O país possui juros elevados, empresas relevantes negociadas na Bolsa, grande exposição a commodities e uma das maiores economias entre os mercados emergentes.
Quando a percepção de risco político e fiscal diminui, esses fatores tornam os ativos brasileiros mais interessantes.
O JPMorgan, por exemplo, elevou sua recomendação para ações brasileiras para overweight, indicando uma visão mais positiva para o mercado brasileiro.
Isso não significa que todo o risco desapareceu.
Significa que o preço que investidores estão dispostos a pagar pelo risco Brasil mudou.
O papel dos Estados Unidos continua fundamental
Existe também um componente externo importante.
O mercado acompanha atentamente a política monetária americana. Dados mais fracos do mercado de trabalho dos Estados Unidos reduziram recentemente as expectativas de uma nova alta imediata dos juros pelo Federal Reserve.
Para mercados emergentes, isso pode ser positivo.
Quando o retorno dos títulos americanos deixa de subir, investidores passam a procurar oportunidades em outros mercados.
E um Brasil com juros elevados, moeda valorizando e perspectiva de melhora fiscal pode entrar novamente nessa disputa pelo capital internacional.
Por isso, o cenário ideal para os ativos brasileiros seria justamente a combinação de melhora doméstica com menor pressão monetária nos Estados Unidos.
O movimento pode continuar?
Essa é agora a principal pergunta.
Depois de uma valorização tão rápida, esperar que a Bolsa continue subindo na mesma velocidade seria pouco realista.
O mercado provavelmente passará por períodos de realização e volatilidade.
O ponto realmente importante será observar se o capital continuará entrando no Brasil depois da euforia inicial.
Se o dólar permanecer abaixo de R$ 5, os juros futuros continuarem recuando e o Ibovespa conseguir sustentar níveis próximos ou superiores aos 200 mil pontos, teremos sinais mais consistentes de que ocorreu uma mudança estrutural na percepção dos investidores.
Por outro lado, o mercado continuará extremamente sensível às pesquisas eleitorais, às propostas econômicas dos candidatos e, principalmente, à credibilidade fiscal apresentada para os próximos anos.
Pra fechar a matéria de hoje:
A disparada da Bolsa e a queda do dólar contam a mesma história: o mercado passou a enxergar uma relação entre risco e retorno mais favorável no Brasil.
O resultado eleitoral acelerou esse processo e provocou uma das maiores reprecificações dos ativos brasileiros dos últimos anos.
Agora começa uma segunda etapa, talvez ainda mais importante.
O Brasil precisará transformar expectativa em confiança.
Se houver disciplina fiscal, previsibilidade econômica e continuidade das reformas, o movimento desta semana poderá representar mais do que uma reação eleitoral.
Poderá marcar o início de uma nova fase para os ativos brasileiros.
Saudações
Alexei Raymundo
Sobre o Autor
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Alexei Raymundo Consultor | Gestor | Palestrante Bacharel em Administração de Empresas Bacharel em Ciências Contábeis MBA Gestão de Pessoas MBA Gestão Estratégica e Empresarial MBA Gestão das Organizações Públicas e Privadas |
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